
texto usado como base no módulo Panorama Geral do Audiovisual nos cursos de vídeo e rádio popular.
por Leyberson Pedrosa
Antes de se fazer alguma produção audiovisual, é importante entender que existe um grande mercado por trás da maioria das produções que consumimos. Se você vai ao cinema hoje, com certeza encontrará quase todas as salas preenchidas por filmes vindos do cenário de Hollywood. Tanto é que o contrário, quando o filme não vem desse mercado, costumamos chamá-lo de independente, alternativo, cult.
Isso não ocorre por acaso. Mesmo que diretores, roteristas e atores coloquem sua criatividade ao máximo, o produto comercial terminará com algum padrão estético – homogêneo, parecido aos demais. Pegue todos os filmes produzidos por Hollywood recentemente e analise a sua qualidade técnica: dificilmente são ruins. Já o seu conteúdo é questionável. Nem tudo que é bom tecnicamente é bom em seu conteúdo e vice-versa.
Um exemplo claro é o festival do Oscar. Se deixarmos de lado toda a festa que se faz com a chegada da data, vamos entender que nem sempre aquele que ganha o prêmio de melhor filme será considerado como "the best" para todos os cineastas que conhecemos. A festividade premia um padrão, um jeito de se produzir. Um discurso. E não se esqueçam: é apenas um discurso, frágil e nada ingênuo. Ali valeu o "lobby" – jogo político para vender algum "peixe", mesmo que ele esteja podre. Se agradou um pequeno grupo de intelectuais e empresários, pronto, está cotado como filme do ano.
Pense bem
Um filme produzido por uma escola pública, simples, bem feito, dificilmente concorreria. Por quê? Porque não tem patrocínio, ninguém vendendo o filme, e ele não foi produzido em Hollywood. Vai ter gente que vai dizer: "mas é melhor do que muito filminho produzido por gringo". Outro dirão: "Pode até ser, mas é nacional, não é gringo. Logo, perdeu." Eu diria: "não é de Hollywood, é alienígena".
Assim acontece no Brasil e em outros países. A produção audiovisual aos olhos do mercado internacional não é valorizada por sua capacidade crítica, pela mensagem ou poesia passada. É valorizada porque é fácil de vender. Tem cena de sexo? Potencial audiência! Violência? Bom, depende! É com o Bruce Willis? Se sim, ótimo. Afinal, ele é duro de matar e o mocinho vai vencer no final, com algum ato heróico.
Daí, um filme que fala do dia-a-dia de algum senhor anônimo que ajuda crianças em situação de rua e que, no epílogo do filme, a única cena mais chocante acontece com a morte do protagonista não seria um "bom" filme para concorrer a algum prêmio internacional. Não para aquele pequeno grupo que escolhem os melhores filmes do ano para o Oscar e privilegiam os efeitos especiais.
Ainda bem que existe um outro cenário audiovisual, que se movimenta também como mercado cinematográfico, mas tenta ser independente no discurso, ao valorizar mais o conteúdo em vez do quanto se gastou nas filmagens. O Festival de Cinema de Brasília, grande polo de filmes nacionais de boa qualidade, ou o Festival de Curtas de Taguatinga, realizado pelo produtor William Alves, estão aí para provar que, se dermos um belo panorama no audiovisual mundial, não encontraremos somente as estatuetas douradas do Oscar.
Quer ver como existe filme de boa qualidade e produzido até mesmo com baixos custos? O filme A Volta do Candango foi feito por um brasiliense, Filipe Contijo, e custou a bagatela de R$ 400,00. (Para se ter idéia, 2 milhões de dolares investidos em um filme nos Estados Unidos é classificado como produção independente) Mas a Volta do Candango gastou 5.000 vezes menos e ganhou até prêmio de melhor direção no Festival de Brasília.
O filme é trash – sem preocupação com a fidelidade aos fatos e escrachado – cria uma certa agonia para estomagos mais fracos, contudo é fácil concordar que foi bem feito e com um diferencial das mega-produções: filmado em duas tardes.
Quer ver, acesse:
http://www.youtube.com/watch?v=LTGtHUy9xbc
Agora, o making off:
http://www.youtube.com/watch?v=O9pjwRazAq8
*Veja a definição do que é panorama no wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Panorama